O Estado de S. PauloFabio Graner,Fernando Nakagawa |
Operação de R$ 2 bilhões tomados pela Petrobrás à Caixa Econômica Federal ajudou a incrementar financiamentos dos bancos oficiais |
|
Puxados principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por uma operação especial da Caixa Econômica Federal com a Petrobrás, no valor de R$ 2 bilhões, os bancos públicos ampliaram em junho a participação das instituições financeiras estatais na concessão de crédito. O estoque de financiamentos concedidos pelos bancos públicos atingiu 42,3% de todas as operações, ante 41,7% em maio. Essa participação dos bancos estatais é a maior desde março de 2001, quando chegou a 42,7%. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), os bancos privados nacionais tiveram redução na participação do total de crédito concedido: de 40,5% para 40,1%. Os bancos privados estrangeiros recuaram de 17,8% para 17,6%. De dezembro a maio passado, a participação dos bancos públicos vinha oscilando entre 41,5% e 41,7% no total do crédito concedido. O salto para 42,3%, em junho, foi incrementado com o desempenho do BNDES: o banco, que de abril para maio já havia ampliado em 2,7% a concessão de crédito, agora, em junho, aumentou os empréstimos em mais 3,1% – de R$ 303,5 bilhões, em maio, para R$ 312,8 bilhões no mês passado. Os números da autoridade monetária mostram que o crédito livre (aquele que as instituições podem aplicar onde bem entendem), que tem um peso mais importante do setor privado, cresceu 1,8% em junho, na comparação com maio. Enquanto isso, o crédito direcionado, que é majoritariamente operado por bancos públicos, cresceu 2,4%. Petrobrás e Caixa. Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, a retomada de espaço dos bancos públicos em junho é um movimento que não deve reverter a tendência de recuperação das instituições privadas nacionais. Fontes dos bancos públicos admitiram ontem ao Estado que o motor dessa recuperação dos bancos públicos em junho foram os empréstimos do BNDES para investimentos e da Caixa para habitação. Mas elas acreditam que os bancos privados vão retomar o mercado perdido durante a crise e a tendência é de aceleração, em ritmo acima dos bancos públicos, embora estes sigam ofertando crédito por causa da demanda. Além dos movimentos tradicionais de oferta de crédito, o aumento na participação dos bancos públicos nos financiamentos foi influenciado por uma nova operação de R$ 2 bilhões da Caixa para a Petrobrás. O BC não detalha as operações individualmente, nem o banco e a estatal do petróleo comentam, mas esse crédito turbinou o saldo das instituições oficiais. No fim de 2008, em meio ao pior momento da crise, a Caixa concedeu cerca de R$ 2 bilhões para a Petrobrás. Na época, com o fechamento do crédito no exterior, a estatal teve de buscar ajuda de emergência na Caixa para fechar o caixa. O dinheiro foi destinado a operações corriqueiras, como pagamento de impostos. De prazo longo, essa operação inflou o prazo médio dos empréstimos às empresas, que passou para 343 dias em junho, ante 228 dias em maio. O outro impulso para levar os bancos públicos à liderança foi dado pelo crédito para habitação da Caixa Econômica Federal. |
