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Sergio Lamucci |

O ritmo de crescimento da produtividade nos EUA está em desaceleração, um sinal que gera preocupações quanto às perspectivas de expansão da economia

O ritmo de crescimento da produtividade nos EUA está em desaceleração, um sinal que gera preocupações quanto às perspectivas de expansão da economia. Em 2011 e 2012, a produtividade total dos fatores (PTF, uma medida de eficiência em que se combinam trabalho e capital para se transformar em produção) aumentou a uma taxa anual perto de 1%, consideravelmente abaixo da média de 1,64% registrada entre 1996 e 2004, e bem menor que os cerca de 2,5% atingidos nos últimos três anos desse período. Entre 2005 e 2012, a média foi de 0,6%, segundo números da PTF do setor privado, excluindo o agronegócio.

O esgotamento do impacto da revolução da internet ajuda a explicar essa perda de fôlego dos ganhos de eficiência depois de 2004, assim como o fato de que o setor mais produtivo, o manufatureiro, responde por uma fatia pequena da economia, na visão do economista Robert Gordon, da Universidade Northwestern, por exemplo.

Há, contudo, quem atribua essa trajetória em queda a fatores cíclicos, ligados à retomada fraca da economia depois da crise, como acredita Dean Baker, co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e de Políticas (CEPR, na sigla em inglês). A produtividade do trabalho segue uma trajetória semelhante à da PTF, embora as variações sejam diferentes.

Num artigo publicado em julho no “International Productivity Monitor”, Gordon diz que a desaceleração da produtividade americana voltou ao normal, após um período de melhora temporária entre 1996 e 2004. Nesse período, os ganhos de eficiência no setor manufatureiro explodiram, associado aos efeitos das mudanças provocadas pela revolução da internet. Isso teve um impacto forte sobre a economia, mas o efeito durou pouco.

Para Gordon, as perspectivas para a produtividade no setor manufatureiro continuam positivas, mas a questão é que o segmento responde por uma fatia pequena do PIB, assim como do total do emprego. Dos anos 1950 para cá, a parcela caiu de 30% para 10% da economia, afirma ele, cujas ideias ganharam destaque com o estudo “O crescimento dos EUA terminou?”, em que defende a ideia de que a economia americana não deverá repetir as taxas elevadas de crescimento do passado. Segundo Gordon, “a indústria manufatureira apresenta um balé magnífico num palco que está encolhendo”.

O diretor de pesquisa econômica da consultoria CohnRenzick, Patrick OKeefe, nota que a maior parte dos empregos que tem sido criados são em segmentos de baixa produtividade. Em julho, por exemplo, 52% dos 162 mil postos criados estavam nos setores de restaurante e varejo. Na indústria manufatureira, foram gerados apenas 6 mil, ou menos de 4% do total.

Gordon diz que parte da desaceleração do crescimento da produtividade se deve à perda de importância das invenções. Segundo ele, o impacto da segunda revolução industrial, ocorrida a partir dos anos 1870, foi muito mais relevante. Surgiram a luz elétrica, elevadores, ferramentas elétricas, aquecimento central, ar condicional, o motor de combustão interna, por exemplo. “Para efeito de comparação, a revolução dos computadores impulsionou o crescimento da produtividade entre 1996 e 2004, por apenas oito anos, enquanto a segunda revolução industrial do fim do século XIX o fez por um período de 81 anos”, escreve Gordon. Esse é um dos motivos para pessimismo em relação às perspectivas de crescimento dos EUA.

Baker, por sua vez, vê fatores mais cíclicos na desaceleração dos ganhos de produtividade. Com a economia crescendo pouco, ele acredita que há empregados em muitas empresas que não trabalham a toda carga, por exemplo. Como OKeefe, ele também destaca que grande parte dos empregos gerados hoje são em setores de baixa produtividade.

Há, contudo, um efeito colateral positivo da baixa produtividade neste momento, avalia Baker. Segundo ele, com um crescimento da economia na casa de 2%, a expectativa seria que menos empregos estivessem sendo gerados, caso os ganhos de eficiência fossem maiores. O número de vagas criadas não é uma maravilha, mas tem contribuído para a queda da taxa de desemprego, um movimento também influenciado pelo fato de que ainda há muitas pessoas fora da força de trabalho. Em julho, o desemprego ficou em 7,4%, abaixo dos 7,6% do mês anterior.